sexta-feira, maio 26, 2006

O anjo e o pastor

Cornélius era um jovem pastor de ovelhas. Todos os dias, saía de sua cabana bem cedo a conduzir o rebanho aos mais verdes pastos da região.

Em uma certa manhã ensolarda, de céu muito azul e núvens de algodão, o pastor chegou à um pasto muito tranquilo, ao lado de um pequeno riacho de águas cristalinas. Sentou-se em uma das grandes pedras, a que o acomodou melhor. Cornélius observava as ovelhas no pasto, porém, seus pensamentos estavam longe. A solidão era um sentimento rotineiro, e sua maior companhia.

Neste dia, Cornélius teve uma visão. Um brilho emanava em meio às árvores de uma floresta próxima. Descuidou-se de seu rebanho e adentrou a mata, atraído pela luz. Deparou-se com uma mulher angelical, divina, com todo seu explendor visível sob uma manta branca transparente, e asas muito longas. Completamente seduzido, o pastor a tocou na pálida face, e a beijou, tornando-se uma criatura divina. Descendo pela face, ele a beijou nos seios, e no ventre, onde observou uma marca de um pentagrama apontando para baixo. Fizeram amor como duas criaturas divinas, etéreas.

Deitado, acordou como se estivesse saindo de um sono profundo, e observou o céu, que parecia vermelho e com núvens negras. Estava frio e moribundo, e seu corpo parecia deformado. Olhou à sua volta, percebeu que estava em cima da mesma pedra em que se sentou quando viu a estranha luz. Pelo riacho, ao invés de águas cristalinas, corria sangue quente e grosso. O pasto verde estava em brasa, as ovelhas despedaçadas, como que devoradas por lobos. Observou seu próprio ventre e notou uma marca de pentagrama similar ao da estranha criatura com quem fizera amor. Sentiu um vazio e uma solidão que nunca sentira antes. Olhou em frente, e viu o mesmo brilho por entre os galhos secos e retorcidos das árvores da floresta.

Reunindo todas as suas forças, Cornélius se arrastou por muito tempo até alcançar novamente a luz. Sem fôlego, deparou-se com o anjo novamente, que parecia agora uma criatura feminina vermelha, nua, sensual e diabólica. Ela estendeu a mão ao pastor, contou-lhe que era um anjo do mal, que se apaixonara por ele. Ela o enganou para seduzí-lo e possuir sua doce alma nos confins do universo, por toda a eternidade. Cornélius deu o último suspiro, e entregou sua alma, libertando-se de seu corpo e da solidão.

sábado, janeiro 14, 2006

Gisele e Cláudio

Era assim quase todos os dias, as mesmas pessoas pegavam aquele ônibus, na mesma hora, e iam descendo, ponto a ponto. O ônibus ia esvaziando, e sempre sobravam Gisele, e seu colega de classe, Cláudio, além do motorista e do cobrador.

Gisele e Cláudio moravam próximos, por isso seguiam o resto do caminho para casa sempre juntos. Cláudio era apaixonado por Gisele, e Gisele não fazia questão de Cláudio. Ela o tinha como um amigo, ele a amava.

A casa de Gisele ficava na metade do caminho de Cláudio, onde sempre se despediam, e Cláudio seguia até a sua. Naquele dia, na hora da despedida, Cláudio abriu seu coração.

- Gisele, preciso te dizer uma coisa importante.
- O que é tão importante assim?
- Todos os dias nos vemos, nos falamos, voltamos juntos do colégio.
- Sim, você é um grande amigo. Gosto de sua companhia.
- Eu sei, também gosto muito de você. Sinto sua falta quando não vai ao colégio junto comigo. Por isso mesmo, quero dizer que te quero muito bem.
- Eu também te quero muito bem, Cláudio. Você é uma pessoa especial.
- Gisele, eu te amo.

Gisele se mostrou fria, pois não nutria por Cláudio sentimentos mais fortes que amizade.

- Cláudio, entendo, mas...
- Gisele, quero você, não como amiga. Quero ficar com você. Preciso de você.
Ela respirou fundo, e disse:
- Cláudio, acho que não é hora de conversamos bem aqui, em frente à minha casa, a esta hora da noite. Aqui é perigoso. E quero que entenda que gosto de você, que não vou iludí-lo, dizendo que te amo. Isso seria uma mentira. Gosto de você, somos confidentes, mas não te amo.
- Gisele...
- Desculpe... amanhã conversamos.

E já ia fechando o portão externo de sua casa, de grades com lanças pontiagudas. Cláudio insistia em falar. Ela o ignorava, indo do portão até a porta de madeira que estava trancada. Cláudio começou a chorar, e implorava à Gisele que voltasse, com o rosto entre as grades do portão. Ela procurava a chave da porta em sua bolsa, e ainda o ignorava.

- Gisele, por favor... escute, eu não posso aceitar isso, não consigo entender! Eu te amo! Gisele!

Quando Gisele achou a chave, Cláudio começou a balançar o portão, de maneira quase infantil, como criança que, quando quer algo, não lhe é concedido.

Gisele parou, segurando o molho de chaves, e disse-lhe, com veemência:
- Calma, Cláudio! Quer acordar a vizinhança?
- Só paro se vier aqui.
- Tchau! - e voltou-se para a porta de madeira.
- Gisele! Gisele! - gritava nervosamente Cláudio.
- Tudo bem, Cláudio! Deixa de ser escandaloso! O que deu em você? Nunca te vi assim, que nem louco! Pensava que você fosse mais equilibrado! - e chegou perto de Cláudio, pelo lado de dentro do portão.
- Gisele, me escute. Você sabe que sou apaixonado por você. E sempre evita este assunto. Você sempre alimenta minha esperança. Vem cá, me beija, por favor.
- Você disse que iria só conversar, não quero te beijar.
- Gisele, quero que sinta minha paixão por você, pelo calor do meu beijo. Faz um ano que te amo - choramingava Cláudio.
- Não quero te beijar. Não gosto de você, e se continuar com esta loucura, não quero mais falar com você.
- Não me conformo em não ter você, Gisele. Quero você, você não pode me rejeitar após tudo que fiz por você. Gisele!
- Adeus! - disse Gisele, virando-se de costas. Cláudio enfiou um braço pelo portão, segurando Gisele pela cintura, de costas, puxando-a contra as grades, encostando um canivete em seu pescoço.
- Se gritar agora, te mato. Fica quieta! - disse Cláudio, descontrolado, tapando sua boca com força, com sua mão. Pegou as chaves que estavam na mão de Gisele, e conseguiu abrir o portão para fora, puxando-a violentamente para fora da casa.
Gisele tentava gritar, mas Cláudio era muito forte, e a segurava pela cabeça, tampando sua boca, abafando os gritos. Jogou a chave no chão e encostou novamente o canivete no pescoço da moça, que suava e tremia, tentando gritar e fugir.
Cláudio levou Gisele para um beco sem saída, longe das casas, perto de uma avenida barulhenta, em plena noite de quinta-feira. Desferiu tapas na moça com o lado de fora da mão, fazendo-a cair sentada junto ao muro. Com o canivete, rasgou-lhe as roupas de colegial, e em seguida as roupas íntimas. Abaixou a calça, e violentamente penetrou a garota, que chorava inutilmente, visto que não passavam transeuntes pelo beco. Sem forças, a garota mal conseguia reagir.

Após o estupro, Cláudio cortou-lhe impiedosamente a garganta com o canivete, subiu a calça, e deixou o corpo de Gisele estendido no chão. Deu-lhe um beijo na boca, e saiu correndo pela noite, entorpecido.